
1 – Há dezenas de explicações e desculpas para a vitória e o crescimento do bolso- fascismo no 1º turno das eleições, que vão desde a ascensão da direita radical no mundo, a interferência de Trump, a violência/insegurança dos cidadãos, o preço dos alimentos até a a parcialidade…
-…da grande imprensa, mesmice política e a falta de esperança no futuro. Cada uma delas tem seu percentual de responsabilidade. Só não tentem me convencer que a corrupção faz parte das causas. É melhor incluir outra razão estrutural (corrigindo Nelson Rodrigues): os brasileiros gostam de apanhar!

2 – Além desta verdade rodrigueana e apesar dos esforços do professorado em geral, é óbvio que a educação no Brasil está muito aquém da importância que ela teria para o efetivo desenvolvimento de um país. Unidades federativas consideradas mais avançadas, como…
-…Distrito Federal e Rio, foram prejudicados, de um lado e do outro, nas eleições: no DF, Celina Leão já estaria e no Rio, Eduardo Paes não correria o risco de ser derrotado – caso o TSE anule os votos do Garotinho – se os eleitores não errassem os seus números nas urnas.

3 – Não são opiniões compartilhadas por muitos mas existem na direita cheirosa, hoje a reboque do bolsonarismo, que também apresentam razões que contribuíram pra derrota de Lula no 1º turno: com mais de 20 anos mandando no governo ou nas oposições, os petistas…

-…assimilaram uma arrogância típica dos que se sentem superiores aos mortais comuns e um orgulho besta por se manterem como uma força política num contexto democrático que o país ainda vive. Neste sentido, eles não se diferenciam do andar de cima, se afastando da razão de sua existência, a maioria dos brasileiros que dão duro pra viver um dia a cada dia…
4 – Na manhãzinha de 2ª, a discussão de 05 velhos moradores na padaria donde eu moro, e não podia deixar de ser, eram os resultados do 1º turno. Eu e mais um votamos, os outros não, um porque não anda bem de saúde e dois porque se abstêm desde os 70 anos. Discordo disto.
– Não confio muito em abstêmios desde os tempos em que, entregue o jornal pras rotativas, descíamos pra cerveja gelada na Chopenete, no térreo da redação. Discussões quentes sobre futebol, governo, milicos, prisões, guerrilha. Apenas um ficava quieto, o editor de política.
– Quando, um dia, perguntei porque, foi curto e direto: “Não posso opinar. Regimes e governos mudam e eu não posso arriscar meu emprego.”
5 – Antes mesmo de apitar o início do 2º tempo e o supremo juiz já botou as mangonas da toga pra fora: vai libertar o golpista-chefe pra subir a rampa do Planalto com o miliciano—chefe. É preciso amedrontar a ‘PF lulista’ para interromper investigações sobre a Turma NM já!
Mas Lula pode ser eleito no 2º turno… E daí? O Senado é nosso, o povo não está nem aí pra corrupção e, confirmando Rui Barbosa, ‘como não será restaurada a moralidade, vamos nos locupletar todos’. E quanto mais rápido, melhor!

6 – Talvez fosse melhor chamar de guerra suja, se bem que toda guerra é suja. Nas reais, civis inocentes, mulheres e crianças preferencialmente, morrem de fato e, nas políticas, pode haver um ou outro militante morto, mas em os dirigentes ficam sempre protegidos…
-…em gabinetes refrigerados, movimentando as peças de acordo com as pesquisas e análises dos estrategistas e da imprensa amiga ou não. Neste aspecto não houve mudanças nas guerras políticas de sempre… agigantou-se, apenas, o baixo nível dos contendores.
– Fosse uma guerra real e matar não seria suficiente, tinha que ser com humilhação e tortura.
7 – Não há qualquer surpresa nesta notícia sobre o recorde da Bolsa após os resultados do 1º turno: o bolso é a parte mais sensível do andar de cima brasileiro. Vitória do bolsonarismo significa corte de recursos em políticas públicas, eliminação de programas para redução da… – desigualdade social (Bolsa Família, Farmácia Popular, Pé-de-Meia, Minha Casa Minha Vida, isenções fiscais e tributárias para as classes privilegiadas e volumes expressivos de grana para aplicar em ativos financeiros na Bolsa), que exigem menos trabalho e encheção de saco.

8 – Todos eram de direita, mais ou menos radical, e todos entraram na disputa com um objetivo, derrotar Lula e o PT. Quando os crimes e pu..tarias* do ungido não puderam mais ser tratadas como peraltices da juventude ou como empreendedorismo sem barreiras, todos eles…

-…apontaram os dedos acusadores contra ele, numa tentativa inútil de substituir o bolsonarismo no coração dos anti-lulistas. Volúveis, já esqueceram os xingamentos e denúncias e vão apoiá-lo contra o inimigo real. Quanto ao Renan Santos, deve declarar-se neutro.

– A bancada de seu partido precisa estar fortalecida em 2030, para disputar um lugar ao sol nos tapetes do Congresso. A hipocrisia é um dos fundamentos do mau caratismo político.
9 – Os resultados do 1º turno no Rio de Janeiro (e no Brasil) comprovaram duas verdades: 1. os territórios ocupados por organizações criminosas ou milicianas e ‘narco-terroristas’ são muito mais extensos que os números indicados por órgãos oficiais ou falados…
-…pela Mídia; e 2. a atuação delas já é muito mais poderosa do que sonha nossa vã filosofia, dominando boa parte do país, se impondo pelo medo em umas regiões ou pela negociação política em outras. Criativos, os brasileiros foram além da democracia e vivem numa cleptocracia.

10 – Até a hora em que acompanhei a movimentação política hoje, o Augusto Cury não tinha declarado apoio explícito a Lula ou ao 01 – e este vídeo anterior aos resultados não quer dizer muita coisa: Caiado e Zema também malharam o miliciano e vão votar nele.
– Ele não é político, porém, e sabe avaliar caráter e honradez das pessoas. E a hipocrisia não está presente em seus livros de ajuda. Já o Renan Santos, também de direita, passou a campanha batendo nos dois ponteiros que, pra ele, são do sistema político podre vigente.
– Jovem ainda, quer crescer no sistema, pra combate-lo por dentro. Ambos deve ficar neutros, ou apoiar Lula, que sai do palco em 2030.
https://x.com/sandraselmasr/status/2107429179264311805/video/1
11 – Estas constatações confirmam minhas desconfianças em institutos de pesquisas eleitorais, que trocam credibilidade pela bufunfa dos financiadores, confiantes na memória curta dos brasileiros. O ungido venceu Luna por 1,87 p0nto percentual, ao contrário do que…
-…Indicaram todos os institutos, que previam uma diferença pró-Lula em torno de 4%. Ora… é indiscutível que houve uma mobilização intensa dos bolsonários (os petistas eram assim antes de assumirem o poder), enquanto estes, certos do 2º turno, relaxaram. Vão permanecer relaxados no 2º turno?

12 – Não há espaço para outra coisa no momento. Aquele desinteresse pelas eleições tão criticado pela grande Mídia, sempre batendo no cansaço dos brasileiros pela polarização, não existe mais. Rádios e tevês acenderam holofotes e microfones e redes e botecos liberaram as paixões.
– Logo, pesquisas estarão produzindo bate-bocas com suas previsões a favor de quem as paga. Gil lançou esta música em 1982, quando os tempos sombrios começavam a balançar, mas os milicos não perceberam a a importância do recado da “fé que não costuma faiá!”
– Os sobreviventes da ditadura sim, e nunca a fé foi tão cantada no Brasil. Creio que é hora de cantá-la bem alto de novo!
13 – Que me xinguem analistas e comentaristas, mas conhecimento é fundamental!
Santa Teresa d´Ávila: “A fé é a chama que ilumina nosso caminho quando todas as outras luzes se apagam.”
14 – Quem diria? ainda se faz Jornalismo no Brasil: leituras e vídeos importantes: