Meus pitacos quase diários (20 e 21/06/2026)

1 – A nova pesquisa Dataafolha confirma o esperado após o mergulho de cabeça do 01 no bosteiro do Master. Lula cresceu 1° na disputa presidencial, o ungido fica 10% atrás (depois de empates técnicos com ele em várias pesquisas) e os demais rastejam abaixo dos 5%.

– A elite, o Mercado, em recados via imprensa familiar, começam a analisar possibilidades outras: convencer o ex-mitô a ‘desungir’ o primogênito e indicar a cônje? Impor ao Legislativo a mudança da lei, permitindo a ‘recompatibilização’ do Tarcísio? Quem sabe lançar o Neymar, caso ele ainda jogue na Copa?

2 – Faz parte do contexto eleitoral: a badalada polarização inclui a Suprema Corte no jogo político, um e outro lado acusando um ministro de julgar contra ou a favor, de acordo com o padrinho de sua indicação. Flávio Dino e Zanin são lulistas, Nunes Marques e Mendonça, bolsonaristas, pois…

– Como Nunes Marques, presidente do TST, vai conduzir/julgar as eleições de 2006, está sendo crucificado pela esquerda. Talvez consiga abrandar os ataques se proibir este vídeo da campanha eleitoral antecipada do ungido, uma descarada ode à violência e nada sutil junção do PT com PCC e CV.

– Quem anda bem juntinho com facções hoje são as milícias, que têm uma ligação umbilical com a famiglia.

3 – Independentemente desta crucificação, é admissível uma certa desconfiança das decisões do ministro André Mendonça relativas às investigações do caso Master. De cara, a exigência dele para que o delegado que as conduz não informe nada a seu chefe, o DG da PF.

– E agora, autorizar operação de busca e apreensão contra Jacques Wagner – por  indícios – mas não se ter vislumbre de operação do mesmo tipo contra Flávio Bolsonaro, em que há mais do que indícios robustos, comprovações até, como os vários receptores dos U$10 milhões que seriam do Dark Horse.  

4 – A Thaís Herédia sempre foi bem informada sobre o poder econômico (foi assessora de comunicação do Armínio Fraga no Banco Central) e, como analista desta área, comungou do senso comum da maioria dos colegas: o Mercado é eficiente, o Estado não. Como condutora… -…de noticiários, mantém suas convicções liberais, mas exterioriza-as com sutileza. Às vezes, porém, não se contém e deixa escapar críticas a programas sociais ou políticos com outras posturas. Flávio e Wagner estão enrolados no Master, mas os crimes do 2º ainda têm que ser comprovados.

5 – Em tempos de escândalo Master, políticos de esquerda e de direita despolarizaram pelo menos um aspecto da disputa entre eles: ou eles não confiam em bancos ou eles concordam que os impostos cobrados pelo governo são abusivos. Fato é que a cada operação…

-…da PF, malas de dinheiro são jogadas pelas janelas ou reais, dólares e euros são encontrados escondidos ou não ou em guarda-roupas ou cofres de mansões e apart-hotéis. Claro que isto é fichinha diante dos grandes burgueses pátrios, que ‘escondem’ a bufunfa em paraísos fiscais.

6 – A corrupção não é uma jabuticaba brasileira. Ela existe desde os tempos bíblicos. Ou vocês não aprenderam que Satanás ‘comprou’ Eva e Adão por uma maçã? E Judas entregou Jesus por 30 dinheiros? Jabuticaba nacional no caso, são os fantasmas no serviço público.

– Parlamentares também sempre deram um jeito do Estado arrumar colocações e pagar salários de parentes e apoiadores seus. Mas fazer isto sem que o contratado preste os serviços é coisa muito nossa, assim como a rachadinha e o fantasma-empresário.    

7 – Outra coisa estranha em decisões judiciais, desta vez em instância inferior. O gabinete do ex-vereador Carlos Bolsonaro estava sendo investigado há um bom tempo por denúncias de uma prática comum da famiglia: rachadinhas. Concluídas e comprovadas, 07 servidores…

-…do ex-gabinete dele viraram réus. Mas o Carluxo não. Tanto o paipai como o ungido já foram denunciados por este crime, sendo que a acusação formal contra o presidenciável foi engavetada pelo STJ por tecnicalidades judiciais. Enfim, se o Moro ligasse o tríplex ao ex-mitô, ele não seria preso, né?

8 – A diferença brutal é óbvia: num debate na Câmara, Clarissa Tércioa escancara seu ódio aquilo que não segue o padrão ao criticar o juiz, enquanto Érika Hilton se indigna com o preconceito da bolsonarista, defendendo-o. O ódio é consequência da postura conservadora….

-…radical, que não admite a pluralidade sexual, uma questão biológica e não religiosa ou moral. O ódio é visceral na crença – pai e marido são pastores – e segue os dogmas neo pentecostais: corpo de mulher só pode ser visto por mulheres e pelo marido (ou pelo amante, caso ele seja pastor!)

9 – Desde o ano passado, a preocupação prioritária dos brasileiros, segundo o andar de cima, devidamente ampliada pela imprensa em geral, foi, cronologicamente: a taxação do PIX, a inflação de alimentos, a corrupção das autoridades, o saco cheio com a mesmice política.

– Como eles não desconstruíram Lula, enfatizaram outro problema, agora o maior, a insegurança/medo do povo. Surgiu até um candidato cujo marketing é se apresentar como o governador que tornou Goiás o Estado mais seguro do Brasil para os cidadãos de bem.

– Acho até que 51 PM’s pra assegurar sua integridade física fora de Goiás é parte de marketing. “É preciso! (dirão o spot e o jingle), PCC, CV e as 86 facções querem matar Caidado”

10 – Há muitos vídeos nas redes como o ex-mitô comendo pastel com caldo de cana em botecos, vendendo uma imagem de homem do povo. Uma das primeiras, que deve ter sido apagada, era bem autêntica: ele tirava pedaços de queijo e comia com a mão e balcão e chão…

-…em torno estavam cheios das sobras dos pastéis comidos. O ungido segue o roteiro, porém não é autêntico: bem vestido, atua profissionalmente e vende-se como  um Bolsonaro comportado. Já disse que o Bolsa-Família e PIX são patrimônios dos brasileiros e que governará para o povo.

– Tem brasileiro que acredita. E o Marco Rubio, assessores do Trump e, talvez, o próprio.

11 – Trump disse que Lula é volátil e que a política do país é perigosa. Mas o Brasil é um quintal para eles e a crítica é parte do jogo. Muito pior é o que ele disse da Giorgia Meloni, 1ª ministra da Itália, uma leal aliada direitista dos Estados Unidos: ela implorara pra tirar uma foto…

-…com ele, que aceitara por pena dela. Fico imaginando como ele tratava as ‘modelos’ de Epstein quando frequentava as festas íntimas promovidas pelo amigo. E qual será o passo dele, assinado o acordo com o Irã, pra desviar a atenção dos documentos do Epstein:

– invadir Cuba ou a Groelândia? Enviar o porta-aviões Gerald Ford para influenciar as eleições no Brasil?  Mandar retirar a Estátua da Liberdade e instalar a estátua de Trum I e Único?

12 – Nos tempos da ditadura, havia jovens como eu que lutavam contra ela, porém não aceitavam o olho por olho, talvez necessário, mas além das nossas crenças. Mesmo assim, vivíamos tensos e com medo de, de repente, termos a porta de casa arrombada e milicos…

-…nos levarem pra “averiguações”, das quais muitos não voltaram. Eu relaxava a tensão ouvindo música no escuro do quarto. Em 1974, Rita Lee compôs Menino Bonito, que me ajudou a não odiar as pessoas e abraçar o mundo, me firmar na profissão e iniciar uma família.

– É emocionante ouvir hoje o jovem filho de Cássia Eller cantando uma releitura da música. E saber que ainda existe gente sensível e sem ódio postando nas redes…

13 – Que me xinguem analistas e comentaristas, mas conhecimento é fundamental!

Rita Lee Nunca soube dizer de onde vim nem pra onde vou. Vivo nesta terra em transe, cheia de sol, cheia de horror. Adoro cicatrizes, tatoos da vida. Me fazem lembrar que eu fui mais forte do que aquilo que me feriu…”

14 – Quem diria? ainda se faz Jornalismo no Brasil: leituras

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